[Resenha] A Rose for Lancaster + Análise

Título: A Rose for Lancaster (Uma Rosa para Lancaster, em tradução livre) 
Autora: Christina Eline Black 
Lido em: Dezembro/2016
Lido no idioma: Espanhol 
Quando decidi ler “A Rose for Lancaster” foi porque fiquei mensamente atraída pelo contexto histórico em que passa a história. Foi uma leitura bem gostosa e prazerosa, bem rápido de ler, uma vez que só tem 100 páginas.
Logicamente que por se tratar de uma história mais curta, não era necessária tanta riqueza de detalhes, porém achei que algumas coisas aconteceram rápido demais, ainda que a cada capítulo tenha a data explícita. De resto, posso dizer que gostei bastante da escrita da autora e da trama em si. A maneira como escreve dá um toque bem romântico e especial, principalmente aos momentos amorosos do casal. Além disso, a autora foi extremamente inteligente ao construir a sua narrativa, até mesmo na forma como coloca pequenos detalhes ou descrições. A leveza com a qual escreve contribui para a leitura. Este foi uns dos motivos pelo qual continuei a ler até o final.
A história se passa no contexto da Guerra das Duas Rosas (1455 – 1487), que envolve as famílias York e Lancaster. Logo que vi o título pela primeira vez e percebi que era de época, a palavra “Lancaster” já havia me remetido à guerra. Entretanto, vale ressaltar que o período em que a narrativa se desenvolve é nos dois últimos anos do conflito (1486-87). Prova de que está no final do confronto é o seguinte trecho:
“Nós não temos que pensar no passado. Uma nova era está começando. Uma era Tudor. Henry e Elizabeth unidos. York e Lancaster, e sua doce amante e eu, como marido e mulher para colocar fim às amarguras do passado” (tradução livre através da língua espanhola)
A narração é feita em 1° pessoa, sendo alternada entre os protagonistas Blanche Langley e Giles Beaufort, e desta forma fui capaz de compreender os sentimentos e pensamentos destes, o que deu mais beleza à história. Esta, conta com a presença de personagens originais da autora, (a começar pelos protagonistas) mas também personagens históricos, considerando-se o “pano de fundo” da trama.
Me encantei com a protagonista, delicada e determinada, e seu futuro marido, um cavalheiro. Acontece que Lady Blanche (como é referida por alguns, no livro) pertence à família York, e Sir Beaufort, à Família Lancaster. Sendo assim, o foco da narrativa é justamente a relação entre o casal principal que tem como “missão” casarem-se para instalar a paz na Inglaterra, acabando com a rivalidade entre as duas famílias. Em meio às intrigas familiares, o plano é um complot contra o rei Henrique VII. Há conflitos, disputa por poder, traição (da parte de um primo), mas também momentos apaixonantes e harmoniosos no desenrolar desta história.
Agora, permitam-me a voltar no tempo para explicar-lhes algumas coisas...

(a partir dessa parte há alguns spoilers; leia por conta e risco, se quiser) 
Análise Histórica: Ficção versus Realidade
    a) Contexto Histórico
O contexto histórico, como mencionado antes, é a Guerra das Duas Rosas. Ela recebeu esse nome porque foi um conflito que envolveu duas famílias que tinham como símbolo, uma Rosa. A família York era representada pela rosa branca e a Lancaster por uma vermelha. A Guerra aconteceu porque essas duas famílias descendiam da mesma dinastia, chamada Plantageneta. Acontece que essa disputa de poder enfraquece demais a família real inglesa.
Então, analisando os fatos históricos, e associando-os ao Romance “A Rose for Lancaster”, o motivo do casamento entre ambas as partes (implícito no enredo) é restaurar o poder na Inglaterra, além de “promover a paz” no País.
O fato de descenderem de Plantageneta está explicito em uma das entrelinhas da narrativa: “O Conde governava o condado de Lincoln Shire e representava meus primos da Casa Plantageneta” (tradução livre a partir da língua espanhola). Curiosamente, a Guerra das Duas Rosas foi também conhecida como “Cousin’s War” (Guerra dos Primos)
Outra coisa interessante é que no livro, Lady Blanche diz que quer presentear o amado com uma rosa, a mais perfeita. Mas ela é informada que só há flores brancas, e a rosa branca é símbolo da família a que pertence (York).
Eu como leitora, acho que alguns detalhes (como estes) foram colocados propositalmente. Assim, a autora pode colocar os itens essenciais da Guerra em sua narrativa, de forma mais leve e cativante.

b) Família Real: Análise e Curiosidades
Pesquisando um pouco mais na internet sobre a Guerra das Duas Rosas descobri algumas coisas a mais, que em geral são detalhes, (não vai influenciar em nada na leitura) mas como achei bem curiosos, decidi compartilhar.
No livro, Lady Blanche tem que ir à propriedade de Somerset. Descobri que, historicamente, o Duque de Somerset foi um dos sucessores de Henrique VII da Inglaterra. Então esse nome não é “apenas” coincidência, tampouco aleatório; deve ser mais um dos detalhes propositais da autora (e ainda terão mais)
O sobrenome do protagonista de “A Rose for Lancaster” é Giles Beaufort. Na verdade, Beaufort é o sobrenome da mãe de Henrique VII, da Inglaterra, que se chamava Margaret Beaufort, que aparece como uma personagem secundária na ficção em uma cena especial na qual fala com a protagonista sobre sua família
No romance há uma parte em que se diz: “Henry e Elizabeth teriam um filho e herdeiro...” sendo que estes nomes fazem referências a Henrique VII e sua esposa Elizabeth de York, reais personagens que, ao casarem, deram fim à Guerra das Duas Rosas e iniciaram a dinastia Tudor
“Henry Tudor” (como referido algumas vezes) provavelmente se refere à Henrique VII, uma vez que é o patriarca da dinastia. Não confundam com Henrique VIII, okay? (também fique confusa no início)
“A Rose for Lancaster” possui um epílogo, que se passa quatro anos depois, em 1491, quando o casal principal tem um filho. Curiosamente, 1491 é o ano de nascimento de Henrique VIII, da Inglaterra, filho de Henrique VII e Elizabeth de York
A última coisa que Giles fala a sua esposa é: “Agora você é uma rosa Tudor, meu amor, em plena floração”, remetendo ao início da nova dinastia. 

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