[Resenha] O Segundo Suspiro – Philippe Pozzo di Borgo




Lembro-me até hoje da primeira vez que assisti ao filme “Intocáveis”; foi na escola, em uma aula de História. Ao final do filme, percebi o quanto a história trazia uma mensagem linda em sua essência. Desde que assisti eu sabia que o mesmo era baseado em fatos reais, da história de Philipe.
Passa um longo tempo, e encontro na internet a informação de que o longa foi inspirado no livro “O Segundo Suspiro”, escrito por Philippe Pozzo di Borgo, o francês que inspirou inúmeras pessoas com suas experiências de vida.
Queria ler a obra logo que a descobri, no entanto, nos últimos meses minha vida estava bem agitada, com os estudos na reta final. Assim, tive que esperar um tempinho a mais, até que em um dia de quinta-feira à tarde decido ler um livro para relaxar e ter um momento para mim. O escolhido foi justamente “O Segundo Suspiro”. Sabia que seria algo comovente, e de certa forma, foi essa a motivação que tive para começar a ler e continuar com a leitura. 
Li em poucas horas, umas quatro, aproximadamente. E adorei o livro do início ao fim. 
Desde o prólogo, comovo-me com as palavras sinceras de Philippe, e deixo uma lágrima escorrer, ao ler uma a uma:
"Somos ambos “intocáveis” em diversos aspectos. Abdel, de ascendência do Norte da África, sentiu-se marginalizado na França — tal como a classe dos intocáveis na Índia. Não se pode “tocar” nele sem o risco de levar um soco, e ele corre tão rápido que os tiras —repetindo sua palavra — conseguiram pegá-lo apenas uma vez em sua longa carreira de delinquente. Quanto a mim, atrás dos altos muros que cercam minha mansão em Paris — minha gaiola dourada, como diz Abdel —, abrigado da necessidade graças à minha fortuna, faço parte dos “extraterrestres”; nada pode me atingir. Minha paralisia total e a ausência de sensibilidade me impedem de tocar o que quer que seja; as pessoas evitam até roçar a minha pele, tamanho o medo que lhes causa minha condição física, e ninguém pode me tocar o ombro sem desencadear dores lancinantes.
“Intocáveis”, portanto.
E agora deparo com um desafio absurdo: voltar a esse passado"
A escrita do autor me encantou; apesar dos pesar, sua maneira de se expressar foi extremamente fluida, tão sentimental quanto filosófica: uma leitura que nos faz refletir sobre como devemos valorizar cada momento que vivemos 
Durante sua vida, ele teve de passar por tudo e mais um pouco, mas estava sempre ali, disposto a continuar. Teve de suportar os dias em que Beatrice, sua esposa, estava fragilizada por conta de sua doença e precisou superar a sua partida aos céus. Teve de consolar seus filhos, sobre a perda da mãe, os quais ainda eram muito pequenos para tantas emoções (e lágrimas)
Além disso, Philippe teve que saber lidar consigo mesmo: O acidente que sofreu, lhe causou uma paralisia, que o deixou tetraplégico, Sendo assim, teve que se adaptar a uma nova vida, às suas limitações, mas que não impediam de fazer o que gostava ou o que queria. Apesar de tudo o que aconteceu, também teve dias de alegria com sua família, que lhe renderam boas memórias a respeito de seus filhos e de sua amada Beatrice. 
Entretanto, após seu acidente, Pilippe percebeu que precisava de um assistente. Alguém que estivesse ali para ele 24/7, que fosse uma pessoa de bem. Várias pessoas se "candidataram" para ser seu auxiliar, mas o escolhido foi Abdel, um rapaz que, na época estava desempregado. 
Vindo da Argélia, se mudou à Paris em busca de melhores condições. Ele teve um passado difícil, e teve que saber lidar com inúmeras situações, inclusive preconceitos por parte de certas pessoas que não o aceitavam por conta de sua descendência. Cabeça-quente, sempre que sofria alguma situação constrangedora como essa, Abdel  revidava a troca de socos. Como Phiippe diz, o rapaz só "fica bem" após uma dose diária de socos. Por falta de condições financeiras em sua família, muitas vezes Abdel chegou a furtar algumas coisas, sendo preso por isto 
De outro lado, ele é descrito no livro como alguém companheiro e alegre, sendo sempre muito fiel a Philippe, com quem construiu uma grande amizade ao longo do tempo, com a convivência. Por essa contradição em seu jeito de ser, Philipe chama Abdel carinhosamente de "Diabo Guardião" 
Por conta da interação entre esses dois amigos, ambos aprenderam muito um com o outro, e graças ao seu guardião, Philippe pode ver o mundo de forma mais alegre. As memórias de Beatrice, a qual amou durante anos e anos sempre ficará em sua memória, em seu coração. Mas a vida segue e o tempo corre. Após muito passar, Philippe foi capaz de encontrar o amor novamente e atualmente é casado e mora com seus quatro filhos. 
A todos que querem se emocionar, e que estão dispostos a enxergar o mundo de outro ângulo, através da superação, da força de vontade de seguir caminhando, nesta longa jornada que se chama vida, recomendo que leiam este livro, que com palavras simples e sinceras, cativam o leitor até sua última linha. E lembrem-se: a trilha é extremante longa, mas a vida é curta para fazer e/ou ter tudo aquilo que se deseja, então aproveitem cada momento que ela proporciona. Cada momento é único e valioso, então faça-os valer. 

Rebeca A. Suzuki 

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