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Rebeca Arimi Suzuki

Rebeca Arimi Suzuki

[História] A Guerra Fria na Ásia "A Primeira Guerra Fria" (Parte II- B)

b) Fases da Guerra da Coreia 
Os historiadores costumam dividir a Guerra da Coreia em 5 fases distintas que são:
1.    Jun./set. 1950: Avanço do RDPC (Norte)
2.    Set/out. 1950: Contraofensiva dos EUA
3.    Nov. 1950/jan. 1951: Entrada da China na Guerra
4.    Jan./maio 1951: Contraofensiva dos EUA
5.    Nov. 1951/jul.1953: Estabilização do front e armistício.

Veremos como foi cada uma delas a seguir:

Primeira Fase:
No período compreendido entre os meses de junho e setembro do ano de 1950, há um avanço enorme do Norte em relação ao Sul, com vitórias impressionantes dos comunistas contra os sulistas. Em junho deste ano o Norte invade o Sul, toma a capital Seul e as forças militares do Norte tomam praticamente toda a Península Coreana, menos a região que será conhecida como “Perímetro de Pusan” (em torno do Porto de Pusan).
Seul caiu em 3 dias e em um mês a Península já estava praticamente toda sob controle do Norte. Mesmo com as tropas norte americanas (literalmente) ao lado da Península, esta foi tomada por nortistas.
Ou seja, se o Japão não tivesse sido tomado pelos EUA, muito provavelmente o Norte teria dominado completamente a Península Coreana, ou seja, o tempo para a chegada de reforços norte-americanos teria sido excessivamente longo e teria impedido a resistência do Sul.

Por que é importante destacar a invasão nortista na Coreia?
Esse fato é extremamente importante pois a situação coreana mimetiza uma situação que para os Estados Unidos é bem mais grave e mais importante: a da Alemanha. Da mesma forma que parte Norte da Coreia conseguiu dominar o Sul com uma enorme rapidez algo muito semelhante poderia acontecer no Caso Alemão, mas com diferenças cruciais: Não há como comparar o apoio militar que a URSS tinha para dar à Alemanha ainda maior do que para os coreanos do Norte e também não dá para comparar uma outra coisa: Os EUA não possuem bases militares nem regimentos permanentemente instalados na Europa Ocidental
Então, se isto acontece na Alemanha para a OTAN atuar, levaria um certo tempo (sobretudo reforços norte-americanos) e até chegar muito provavelmente a Alemanha Ocidental já teria caído. E uma vez tendo caído, o que fazer para libertar aquela área? Quais os custos que isto implicaria aos Estados Unidos?
Portanto, a invasão dos norte coreanos no Sul não se restringe apenas à Ásia, e muito menos, apenas à Península Coreana, pois tem uma repercussão global imediata.

Segunda Fase:
Já nos meses de setembro até outubro de 1950, o comando militar da ONU (quase sinônimo de EUA) faz uma contraofensiva e “empurram” o exército do Norte para fora do Sul, e mais do que isto: o comando militar da ONU entra em território nortista, ao ultrapassar o paralelo 38. Vale destacar que se em um mês o Norte tomou o Sul, em 15 dias (período compreendido entre 15 de setembro e 1° de outubro), o comando militar da ONU expulsa os nortistas do sul da Coreia.
E é então que é necessário fazer uma das decisões mais cruciais do momento e que gera uma repercussão enorme no cenário Internacional: a de ultrapassar o Paralelo 38.
Dessa forma, não se trata apenas de “libertar” o Sul da dominação nortista, como também ultrapassar o Paralelo e, portanto, reunificar a Península Coreana, em torno do governo da República da Coreia (hoje conhecida como Coreia do Sul).
Essa é uma decisão extremamente importante, e que foi legitimada pela ONU, a qual passa uma Resolução legitimando a libertação da Coreia e a reunificação em torno do governo “democrático” de Syngman Rhee.
Todavia, é importante destacar um detalhe: A partir de agosto, a URSS volta ao seu posto no Conselho de Segurança, e obviamente que não aprovaria tal da “legitimidade” concedida pela Organização. Acontece que a decisão não foi tomada pelo Conselho, e sim pela Assembleia Geral da ONU, sendo que os EUA se utilizam da maioria que possuem na Assembleia Geral e ainda a América Latina inteira apoiam os EUA, assim como a Europa e a Common Wealth Britânica, ou seja, os EUA têm clara maioria para passar uma Resolução via Assembleia Geral.

Qual o perigo de ultrapassar o Paralelo 38?
O perigo é que as tropas norte americanas ficam muito próximas não só da URSS como também da China. Esta, por sua vez, antes de agir militarmente, tem as suas relações com os EUA rompidas, então não há canal diplomático direto, como por exemplo, uma Embaixada Norte Americana em Pequim.
A China “passa recado” de que atuaria militarmente caso os EUA ultrapassassem o Paralelo 38, via Índia, com um Embaixador indiano em Pequim que transfere a informação a um Embaixador Norte Americano, em Nova Délhi dizendo que se ultrapassasse teria que enfrentar a China. Os EUA inicialmente pensam ser um blefe chinês, mas na verdade não era, pois no fim de 1950, a China entra no Conflito, transformando a Guerra da Coreia em outra guerra.

Terceira fase:
Esta é a fase marcada pela entrada da China no Conflito, no final de novembro de 1950. A China entra na Guerra e tem-se um recuo das tropas norte americanas para o Sul. Nessa fase, a ofensiva dos EUA/ONU é revertida, e tem-se as tropas chinesas penetrando ao Norte da Coreia, e mais de 300 mil soldados chineses entram no território, apoiando o Norte para repelir as tropas norte americanas.
E não só se tem a recuperação da parte norte, como também a China decide revidar e também ultrapassa o Paralelo 38. Assim, Seul é tomada uma vez mais, com as tropas chinesas a 50 km para além da cidade.

Por que a entrada da China é tão importante?
A entrada Chinesa causou uma potencialidade de generalização enorme neste conflito. A China Comunista havia assinado no início de 1950, uma aliança militar com a URSS, o que significa que se a guerra entre EUA e China “respingar” em território chinês e se os EUA decidem realizar qualquer tipo de operação militar ou mesmo um bloqueio econômico naval contra a China, isso poderia acionar a aliança militar Sino-Soviética. E então haveria um conflito direto entre EUA e URSS.  
Para perceber a gravidade da situação, o comandante da ONU Douglas Mac Arthur chega a fazer demandas para o governo Truman dizendo que seria necessário levar a Guerra para a China e começa a pressionar Washington a fazer bloqueio econômico contra a China e bombardeio da Costa Chinesa, como uma forma de fazer os chineses recuarem com o avanço militar em apoio ao Norte da Coreia. Se isso acontecesse isso certamente acionaria a aliança Sino-Soviética.
A situação se torna ainda mais complexa pois estamos no início dos anos 50, quando o General Mac Arthur era extremamente respeitado por pessoas que eram altamente conservadores e anticomunistas e havia um contexto de Guerra no início do “fervor MacArthista”, no qual qualquer tipo de ação considerada “suave” diante dos comunistas, gerava na política doméstica gerava a impressão de que a pessoa (dentro dos EUA) era um agente comunista. Então, isso torna um impacto dessas demandas do Mc Arthur de expandir a Guerra para a China.
O então Presidente Truman chega a dar ideia de que os EUA poderiam usar bombas atômicas pontuais para “empurrar” a China de volta ao seu território, e isto gera outro sério problema. Assim, o Presidente recua dizendo que nunca utilizaria a bomba atômica sem consultar os parceiros da OTAN.
Mas o fim de 1950 e início de 1951 foi a época em que o mundo passou por sérias dificuldades, tanto é que se analisar jornais daquela época uma das expressões que mais aparecem é “Terceira Guerra Mundial”, a possibilidade de uma III Guerra eclodir neste contexto

Quarta Fase:
Foi marcada por uma última contraofensiva norte-americana.
A quarta e quinta fase do conflito, há momentos de idade e vindas em torno do Paralelo 38. O Governo Truman demite o Mac Arthur, pois não queria radicalizar o conflito e levá-lo à China e garante que o mesmo ficaria restrito apenas à Coreia, e a partir de 1951 começam as negociações para um armistício

Quinta fase:
Na última fase do conflito há um impasse militar, aproximadamente em torno do paralelo 38, e que é a fase mais longa do da guerra e que além desses conflitos em torno do Paralelo 38, houveram negociações extensas para se chegar a um armistício.
Não se chega à paz, porque os dois governos não se reconhecerão, e nem irão reconhecer a existência de “duas” Coreias, só há uma Coreia, então não se chegará à paz, mas se chegará a um armistício depois de muitas negociações

“Por que demorou tanto para se criar um armistício??
Primeiramente por causa de uma discussão de onde seria essa fronteira entre as “duas Coreias, porque a mesma não iria coincidir com o Paralelo 38, porque está um pouquinho mais ao norte do que antiga fronteira.
Entretanto, além disso, o problema principal que faz com que demore a assinatura do armistício, é o problema dos Prisioneiros de Guerra. Os EUA e o comando militar da ONU haviam capturado aproximadamente chineses e coreanos do Norte do que os chineses e coreanos capturaram de americanos e de membros da tropa da ONU
E os EUA faziam questão de que os mais de 130 mil chineses poderiam escolher para onde eles iriam uma vez que fossem libertos e o governo chinês não aceitava isso, e queria que eles voltassem para a China (A questão é: Qual parte da China?)
O problema é que da mesma forma que há um conflito entre os coreanos, há uma disputa por legitimidade entre os dois governos chineses. Se esses 130 mil chineses decidem voltar todos para Taiwan, não há dúvidas de que é uma derrota (ainda que simbólica) da China Comunista.
Contudo, depois de muita negociação e sobretudo após a morte de Stálin (que era um dos grandes obstáculos para que o armistício se desse) e com a entrada do Eisenhower na Casa Branca, deixando bem claro que se a China não cedesse os EUA voltaria a fazer uma ofensiva na Coreia, e então a China se rende e aceita as condições norte americanas aos Prisioneiros de Guerra. Assim, o armistício é assinado em meados de 1953.
Numa próxima postagem, contarei quais foram as principais decisões tomadas por parte dos EUA e da URSS com relação à Guerra da Coreia 

Fonte: Univesp TV

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Sobre
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