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Rebeca Arimi Suzuki

Rebeca Arimi Suzuki

[História] A Guerra Fria na Ásia - "A Primeira Guerra Fria" (Parte 1) - Antecedentes

Quando se fala sobre a Guerra Fria, a primeira coisa que vem à mente das pessoas é o conflito ideológico entre os EUA e a URSS. Entretanto, ao contrário do que muitos imaginam, a Guerra é bem mais do que o envolvimento entre ambos, pois este confronto, ou melhor, bipolaridade, afetou o mundo, com as ideias de capitalismo (EUA) e socialismo (URSS).
Por isto, ao contrário do que muitos pensam, o conflito não se restringiu apenas à Europa ou aos Estados Unidos; a chamada “Primeira Guerra Fria” por alguns estudiosos da área, para periodizar os mais de 40 anos de Guerra, aconteceu na Ásia. Em meio a isso, aconteceu a tão conhecida Guerra da Coreia (1950 – 1953), que trouxe um cenário ainda mais alarmante à época.
É válido destacar também que “A Primeira Guerra Fria”, compreendida pela primeira década pós II Guerra Mundial (1945 – 1955) foi considerado pelos historiadores o período de maior tensão entre as duas potências mundiais, e, portanto, de mais intensa bipolaridade ao redor do globo. Nesta década ambos os lados não tinham relações diplomáticas, a não ser através da ONU. A partir de 1955 as relações entre eles vão se normalizando gradativamente ao ponto de na década de 1960 - 70 haver uma situação de cooperação entre americanos e soviéticos em vários aspectos
Há várias maneiras de periodizar a Guerra Fria, sendo uma delas geograficamente (por continentes ou regiões). Aqui destacarei a primeira década, nos anos de 1950, no qual a Guerra Fria foi extremamente evidente na Ásia, como dito anteriormente neste post. Para estudarmos então, esse período, há um consenso: O de que a Guerra da Coreia teria sido um episódio em um momento histórico crucial nesta Primeira Guerra Fria, e não apenas pelo fato de ter sido a “primeira guerra quente” da Guerra Fria, na qual tem-se EUA e União Soviética conflitando-se indiretamente, como também reflete transformações no plano global e sobretudo trouxe implicações muito importantes na continuidade da Guerra Fria e para o sistema internacional pós década de 1950, pois a Guerra da Coreia trouxe um impacto extremante significativo não apenas no Continente Asiático, como também em outras partes do mundo, especialmente na Europa.
Contudo, para entendermos como tudo ocorreu, e num contexto geral, precisamos saber:
I.             Como a Guerra da Coreia se desenrolou?
II.            Quais foram as medidas tomadas por EUA e URSS
III.          Quais os impactos da Guerra da Coreia no Sistema Internacional
De um modo geral, pode-se dizer que a Guerra da Coreia foi um conflito marcado por inúmeras idas e vindas e por isso torna-se extremamente complexa a compreensão do mesmo. Também deve-se levar em conta as decisões tomadas pelos EUA, URSS e pela China, pois esta última foi uma atuante fundamental no Conflito e de que forma as decisões refletem transformações estruturais e só então é possível analisar os impactos da guerra no cenário internacional

I.             Cronologia da Guerra da Coreia – Antecedentes
a)    Como ficou a Coreia pós Segunda Guerra Mundial?
Primeiramente, temos que saber que a Coreia se transforma numa área de influência na parte norte (soviética) no qual teremos um governo provisório comunista, fortemente aliado a Moscou e na parte sul, um governo altamente conservador e anti-comunista, aliado aos Estados Unidos da América, entretanto, isto decorreu de uma negociação, que nasce em Potsdam em agosto de 1945, de que a Península Coreana seria dividida a partir do Paralelo 38.
Entretanto, antes, ou mesmo durante a Segunda Guerra, a Coreia era uma colônia japonesa, e é uma área de muitas disputas, historicamente falando; no final do século XIX, Japão e China entram em conflito parte por conta da Coreia e no início do século XX, a Rússia e o Japão também entram em conflito e será exatamente após a derrota da Rússia nesse conflito com os japoneses que a Coreia se transformará e se consolidará como uma colônia de Tokyo. Então, a partir de 1910, a Coreia é uma colônia nipônica, a qual será perdida após a derrota japonesa na II Guerra Mundial.
E daí o porquê da ocupação americana e soviética ao sul e ao norte respectivamente, tendo como base o paralelo 38.

b)    Antecedentes da Guerra da Coreia – A Influência dos EUA e URSS e o Paralelo 38
Mas antes da negociação, EUA e URSS já haviam decidido que a Coreia se unificaria, se tornaria independente, mas se manteria como um governo unificado (como também ocorre no caso alemão) mas não aconteceu nem na Alemanha e nem na Coreia.

Por que não aconteceu?
Obviamente que isto reflete as tensões presentes entre as duas superpotências a partir dos anos de 1946, 1947, 1948 e que se aguçam. No Caso Coreano, essas tensões se refletem da seguinte maneira:
Primeiro: Já haviam dois governos provisórios instalados no país, cujo governo ao norte era comandado por um ex-guerrilheiro que atuou na Manchúria e que terá apoio direto da URSS, chamado Kim Il Sung, portanto comunista, e ao sul um governo liderado por Syngman Rhee, que era extremamente conservador e fortemente apoiado pelos americanos (anticomunistas). Assim, o primeiro problema que surge é como formar um único governo sendo que há dois governos provisórios em áreas distintas da Coreia com ideologias completamente diferentes. Sem contar que conforme as tensões entre Estados Unidos e União Soviética se intensificaram, (no final dos anos 40) as tensões entre os dois líderes coreanos também tendem a crescer
Segundo: Outro problema é justamente a divergência entre estes governos. A parte sul da Coreia era parte mais populosa, tinha aproximadamente 2/3 da população total da Península Coreana, então uma demanda norte americana que passa por Rhree, é a de que uma Assembleia Nacional deveria ter o maior número de cadeiras que representasse a parte sul da Coreia.
Então, o Sul precisaria estar em maior número na Assembleia e na vida da “Coreia Independente”. Contudo, isso era visto como algo inadmissível tanto por Kim Il Sung quanto pelo próprio Stálin, os quais desejavam que tivessem o número de representantes com pesos idênticos. E como não houve acordo algum com relação a isso, os Estados Unidos levam a Questão Coreana à ONU em 1947. E na Assembleia Geral da ONU, naquele mesmo ano, vota-se que aconteceriam eleições separadas na Coreia, ao norte e ao sul para formar uma assembleia, que redigiria uma Constituição na Coreia e que permitiria a fundação desse país independente e unificado. Entretanto, na aprovação da ONU também foi dito que na Assembleia haveria mais cadeiras para o sul respeitando, portanto à proporção da população, referida anteriormente.
Quando isto foi decidido o Norte resolveu que não participaria das eleições, ou seja, não obedeceria às Resoluções da ONU. As eleições na parte sul acontecem, porém são fortemente boicotadas por grupos de esquerda e que gera uma assembleia conservadora, que elege o próprio Rhee como Presidente da República da Coreia (atual Coreia do Sul).
A partir do momento que existe uma institucionalidade no Sul, Kim Il Sung proclama o surgimento da República Democrática Popular da Coreia – RDPC (atual Coreia do Norte)

Observação importante: É importantíssimo perceber que aqui neste caso ainda não estamos falando de duas Coreias, e sim de uma Coreia comandada por dois governos distintos e que não se reconhecem

A parte sul acha que o Norte está sendo comandada por um rebelde e vice e versa. Esses dois governos se dizem legítimos da Coreia e não se reconhecem um ao outro. Por aqui, já percebemos as raízes da Guerra Civil Coreana que ocorre entre os anos de 1950 e 1953. Por não se reconhecerem, uma paz entre eles seria algo bem difícil.
Acontece que em 25/06/1950, essa divisão institucional transforma-se em Guerra, com a invasão da República Democrática da Coreia (norte) na República Coreana (sul). Mas isso é assunto para outro post...

Fonte: Univesp TV

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Yuki Furukawa é um ator e modelo do Japão. Nascido em Tokyo, ele se mudou para o Canadá, em Toronto, com sua família, quando tinha apenas 7 anos de idade. Morou 11 anos no exterior, sendo que, com 16 anos, mudou-se por conta própria a Nova York (EUA), como um estudante de pesquisa durante dois anos.
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