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Rebeca Arimi Suzuki

Rebeca Arimi Suzuki

Querida Mi Young

Há algumas semanas que eu, Kang Se Ra me tornei mais próxima do Daniel Pitt, a quem chamo carinhosamente de “oppa”. Ele está fora, e eu aproveito para entrar sorrateiramente em seu apartamento, em seu quarto.  Impressiono-me ao ver que ele guarda uma foto de quando era criança... A mesma foto da minha infância, a única que tenho dessa época. Aproximo-me mais do porta retrato e o aperto contra o peito, devido ao sentimentos que aquela fotografia me trouxe.
Começo a vasculhar mais o quarto de meu oppa, até que encontro em uma das gavetas de sua cômoda, um envelope. Abro-o cuidadosamente e vejo que dentro há uma pequena carta, em um papel amarelado. A letra caprichada como sempre, mas percebi que agora havia algo diferente nos traços... Será que ele hesitava enquanto escrevia?
Comecei a ler:

Querida Mi Young,
Não sei se essa carta chegará algum dia até as suas mãos, tampouco se o meu desejo incessante de te encontrar se tornará realidade. Mas, ainda me resta alguma esperança, então lhe escrevo para lhe revelar meus verdadeiros sentimentos, que guardei comigo há décadas:

Há exatamente 20 anos que estou à sua procura. Você sempre foi uma irmãzinha muito alegre, espontânea, que espalhava a alegria por onde passasse. Dava gosto de vê-la sorrir, ainda que fosse por coisas simples, como o raiar de um dia, por exemplo. Você sempre foi muito decidida, sabia o que queria mesmo antes de alguém te perguntar qual profissão gostaria de seguir no futuro. Eu demorei anos a escolher o que realmente gostaria de ser, algo que você decidiu em questão de dias. Bom, mas o que eu quero te dizer é que sempre foi você. Independente do que acontecesse, era você que me dava energia, que me dava confiança.
Como seu irmão mais velho, sempre pensei que eu que precisava te ensinar (e provavelmente assim pensam nossos pais, naquela época), mas eu sempre acabava aprendendo mais com você do que você comigo. Por isso posso me considerar um homem e um irmão de sorte por ter tido uma garota tão sábia como você ao meu lado. A cada dia que passava queria ver o teu sorriso brilhar mais e mais. Então, quando você me pediu alegre e delicadamente: “Oppa, eu quero um sorvete!”, eu não consegui te recusar. Estava calor, nós merecíamos algo gelado para compensar naquele dia. Não, você merecia. Eu queria te fazer feliz, queria te fazer sorrir uma vez mais, por isso pedi que esperasse sentada em um banco, enquanto buscava o sorvete. Mas foi um descuido meu, uma falha minha, ter me separado de você. Te perdi em questão de minutos, algo que nunca imaginei que poderia acontecer. Mas naquele dia aconteceu exatamente isso. Se me arrependo? Muito, muito mesmo. Hoje amadureci desde aquele incidente e sei que “um erro leva a um arrependimento”. Se pudesse fazer o tempo voltar, eu com certeza faria tudo da forma certa desta vez.
Mas, se há uma coisa que eu aprendi com a vida foi que ela continua, e que nós precisamos seguir nossas vidas. Entretanto, a consciência ainda pesa e o desejo de ter ao meu lado aumenta a cada dia, a cada hora.
Agora, passados tantos anos, e depois de nos separamos por culpa minha (as pessoas dizem: “não se culpe”, mas é inevitável, querida), pode parecer egoísmo da minha parte querer te ter aqui comigo, mas acredite, esse é o meu maior desejo, por isso te procurei por tanto tempo, porque você é muito importante para mim. Você é a minha companheira, e a minha família.
Por isso, se um dia nos encontrarmos novamente, espero que me perdoe por tudo que fiz. Pelos meus acertos e erros, porque independente de toda e qualquer outra coisa ou pessoa que exista, eu sou seu irmão. E sempre serei.
Por fim, só quero que tenha uma única coisa instalada em sua mente: esteja onde estiver, olhe sempre para o amanhã, que te espera todos os dias, trilhe seu caminho, realize seus sonhos e principalmente... seja muito, muito feliz.
Com todo amor,
Seu oppa

PS: Se esta carta chegar às suas mãos, saiba que essas palavras são as mais sinceras que encontrei, porque são de coração.

 Minhas mãos ainda estavam trêmulas no momento em que havia acabado de ler a carta. Percebi, naquele mesmo instante, que eu tinha lágrimas nos olhos, que não paravam de rolar. Tentei reprimi-las diversas vezes, mas não foi possível. Sempre fui forte (ou pelo menos queria me mostrar/parecer assim), mas depois de ler algo tão singelo quanto comovente, nem eu mesma fui capaz de controlar minhas próprias emoções, que se afloravam naquele momento, naquele pequeno quarto que me trouxe de volta a infância.
Oppa... suspirei ao falar, e deixei uma última lágrima escorrer.
Já mais calma, sequei minhas lágrimas e devolvi o papel (no envelope) para o lugar onde estava.  Minutos depois, alguém bate à porta, e já tenho a impressão de que sei quem é a pessoa que bateu: Ninguém menos que o “dono” do quarto: Daniel Pitt, designer mundialmente conhecido, e meu irmão mais velho. Aquele me fez chorar com suas palavras ternas um pouco antes, que me deu conselhos semanas atrás, mesmo antes de descobrir nossa verdadeira relação, os laços de família que carregávamos há tempos.
A porta se abre de leve, e alguém dá passos largos e igualmente leves para adentrar o local. Instantes depois eu vejo que estava certa. Era mesmo ele, que havia voltado dos compromissos e agora estava bem ali, na minha frente. Como eu iria encará-lo? O que diria a ele? Não podia esconder-lhe a verdade, mas também não sabia como reagiria se eu falasse isso do nada. Ainda assim, decidi arriscar falar a ele quem sou.
Oppa... agora eu falava com mais força, mas ainda estava hesitante.
Kang Sera? ele pronunciou o meu nome com ar de dúvida, obviamente sem saber como vim parar ali, ainda que fôssemos vizinhos.
Mi Young eu disse, decidida a contar-lhe tudo.
Como? ele estava surpreso e meio sem entender
Temos que conversar eu lhe informei e ele concordou, assentindo.

Sentamos na cama dele e começamos a conversar.
Sobre o que quer falar? ele quis saber
Sobre alguém que você quer encontrar. É um assunto bastante delicado eu declarei, sinceramente. Acho que ele entendeu do que se tratava na mesma hora, porque engoliu em seco, e só respondeu:
Imagino
Esta foto aqui do lado eu apontei para o objeto Você a tem desde quando?
Tenho desde sempre, é uma memória boa da infância. Mas porque quer saber isso?
Porque eu tenho uma foto idêntica a essa comigo
Sério? Como? ele estava extremamente surpreso ao saber daquilo
É a única foto que tenho da infância. Minha mãe me disse que era só isso que eu tinha nas mãos quando me encontrou na adoção eu disse, e nesse mesmo instante as imagens daquele dia voltavam à mente.
Então você...
Ele não terminou a frase, porque eu disparei dizendo:
Quem é a menina? A que está do seu lado eu apontei para a fotografia
Minha irmã mais nova. Eu a perdi há muitos anos...
A quem você escreveu uma carta, certo?
Certo. Como sabe?
Eu a vi enquanto estava fora. Desculpe se invadi sua privacidade ou algo assim, ao lê-la
Tudo bem, mas aonde quer chegar com tudo isso? Além disso, você está estranha. Nunca a vi tão tensa desse jeito
Estava mesmo tensa, sem saber direito como agir, embora estivéssemos tendo uma conversa bem natural naquela hora. Ele realmente me conhecia bem.
Você não a perdeu Eu assegurei a ele Sua irmã, você não a perdeu, ela foi adotada esse tempo todo. E ela estava embaixo do mesmo teto que você.
Você está me dizendo que... agora era ele que estava tenso sem palavras e totalmente pasmado.
Sim, Daniel Pitt...   eu comecei, tentando me acalmar A garota da foto, a garota a quem você dedicou tanto tempo procurando, preocupado com ela...  —  respirei fundo e após dar uma pausa, lhe revelei:
Essa pessoa... Sou eu. Eu sou a Mi Young. A sua Mi Young falei com toda a força e sentimento que consegui
Nesse momento, ele subitamente me abraçou, daquela forma doce, que só um irmão mais velho te dá, com todo carinho, mas de outro lado, também era um abraço de alívio. Ele finalmente podia ficar aliviado por ter se encontrado com quem tanto desejou durante anos
Mi Young... era a vez dele se emocionar e deixar algumas (muitas)  lágrimas rolarem Nunca mais vou te deixar ele afirmou, com tanta determinação que me impressionou.
Oppa... eu tinha um sorriso no rosto, ao mesmo tempo em que me emocionei (uma vez mais) com as palavras dele.
Me perdoe, Mi Young ele pediu, como quem quer e precisa mesmo fazer isso
Eu te perdoo. Pelos seus acertos e erros e por tudo o que fez por mim. No passado e no presente. O tempo não voltará, nem trará de volta a nossa época de criança. Mas o tempo corre, assim como a vida, como você bem sabe melhor que eu, oppa. Então, não se lamente, siga seus próprios conselhos e olhe para frente, porque agora temos um futuro imenso juntos! Certo?
Claro que sim! Me alegra ouvir essas palavras vindas de você. ele estava grandemente feliz
Sorri em resposta. Ele pegou na minha mão e disse carinhosamente:
Já que estamos no clima, vamos sair para tomar um sorvete? Está quente, como naquele dia.
Sim, exatamente como naquele dia concordei com um sorriso de ponta a ponta no rosto.
E não vou a mais nenhum lugar sem a minha Mi Young ele me disse com firmeza, enquanto saíamos do local, com uma mistura de carinho, admiração e amor. E aquele único “momento entre irmãos” era o que nos bastava para nos alegrar ainda mais, numa tarde ensolarada. 

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