[Fanfic] Capítulo 9

No dia seguinte minha mãe já havia chegado desde cedo para me ver, pois passaria a manhã livre. Ela ficou feliz em me encontrar animada e foi logo chegando mais para perto de mim. Não lembro muito (com detalhes quero dizer) o que aconteceu pela manhã. Só sei que conversamos bastante, e sobre tudo. Ela me contou como andam as coisas na doceria entre outros muitos assuntos. Mas, no meio de toda essa conversa, ela me perguntou uma coisa inesperada:
— Como foi seu dia, ou melhor, sua noite com seu amigo ontem? — ela disparou, curiosíssima.
— Foi bem — respondi, sem graça, ela sorriu de leve, visivelmente satisfeita
— Gostou das flores? — ela continuou com o interrogatório, de maneira alegre
— Como você sabe que eu ganhei flores? — questionei-a, arqueando as sobrancelhas.
— Porque fui eu que disse para ele dar flores vermelhas pra você, filha — ela disse, com carinho.
— Funcionou. Eu amei. — elogiei — Mas então, você já sabia de tudo?
— Tudo não — ela negou com a cabeça — Mas uma parte sim.  Eu sabia que ele queria te fazer uma surpresa.
— Ah... Já estava desconfiada... — comentei, cruzando os braços, fingindo estar brava, mas piscando para ela.
 Depois disso, foi tranquilo. Tivemos aquele momento mãe e filha que tanto gosto e que prezo muito, porque não é sempre que ela chega desde cedo, já que ajuda meu pai na loja. Aproveitamos o tempo de todas as maneiras possíveis
 Algumas horas depois...
Alguém bate na porta. “Quem será?”, pensei .
— Acho que seu príncipe veio te ver — minha mãe resolve dar palpite e eu fico sem graça
E segundos depois vejo que ela estava certa. Era Kousei
Entrou de mansinho, pela porta entreaberta. Vendo que o garoto ia se aproximando cada vez mais de mim, minha mãe me olhou daquele jeito presunçoso, como se dissesse: “vou deixar os pombinhos a sós” e se retirou instantes depois.
 Era de tarde quando ele veio me visitar. Podia ser um dia normal (não que não fosse)  mas naquele dia nos cumprimentamos de forma diferente do habitual; nós trocamos beijinhos na bochecha e nos entreolhamos com ar de cumplicidade, que expressava toda a satisfação que tivemos no dia anterior. Senti minhas bochechas corarem e percebi que as dele também estavam vermelhas.
Depois de um tempo nos encarando, ele perguntou?
— Como está na sua recuperação?
— Bem — respondi despreocupada
— Quer fazer algo diferente? — perguntou, já querendo saber qual seria a minha resposta
— Tipo o quê?— devolvi com outra pergunta
— Quer sair um pouco? — sugeriu, a voz solene
— Claro! É o que mais quero nos últimos tempos! — comentei verdadeiramente animada
— Podemos ir à lanchonete, o que acha?
— Acho ótimo! — exclamei, satisfeita com a proposta.
Saímos do meu quarto discretamente, para que não fossemos vistos e pegamos o elevador mais próximo, em direção ao térreo (lógico!). No elevador, ele tocou as minhas mãos carinhosamente, e eu retribui o gesto, com um olhar singelo, no qual se via toda a felicidade que eu sentia.
Ao chegar à lanchonete, pedimos suco de laranja e eu quis um lanche natural (é dose eu não poder comer nada mais que isso). Sentamos em uma mesa não tão longe dali e começamos a conversar bastante enquanto comíamos.  Logo, compartilhamos a bebida, cada um tomava em um canudo, claro. Mas, como estávamos frente a frente, nos olhávamos fixamente, com um sorriso no rosto, mas desta vez, sem dizer uma palavra. No entanto, era um silêncio agradável, daqueles que a gente presencia quando alguém muito querido nos faz companhia, e nos faz esquecer todos os problemas, pelo menos por um tempo.
Estávamos nos entreolhando há um tempo, quando ele decidiu que queria “dar um passo a mais” no nosso relacionamento. Sutilmente, começou a se aproximar mais de mim, e eu dele, com aquele sentimento recíproco que sabíamos que tínhamos um pelo outro. Meu coração começou a bater mais forte e eu estava esperançosa.  Nossos lábios estavam quase se encontrando quando, de repente alguém (que estava bem atrás da gente) pigarreia e diz:
— Ei! O que vocês estão fazendo aqui? — questiona a Yukie (que eu não via há um tempo), nos repreendendo, deixando evidente que aquilo não era “só” uma pergunta a ser respondida
— N-nada — respondemos juntos, tentando disfarçar, mas obviamente não obtendo muito sucesso
— Não adianta esconder nem me enrolar — ela nos advertiu com a voz um pouco mais suave
E olhando para mim ela disse:
— Venha, Kaori! Vamos entrar — ordenou — Você já está há um bom tempo aqui fora.
Tentei fazer cara de choro, para ela ficar com pena e me deixar na lanchonete um pouco mais, mas não adiantou nada. Então, só chamei Kousei para ir junto comigo de volta ao andar superior. Ele assentiu e nos seguiu. A Yukie me deixou no quarto rapidamente, e se retirou logo em seguida.
Depois que ela saiu, Kousei me disse:
— Então... Acho que depois dessa aí, é melhor eu ir — falou, acanhado
— Não terminei de falar com você! — afirmei, decidida
— O que você tem pra me falar, Kaori? — ele quis saber, intrigado com a minha fala
— Pare de fazer perguntas! — exclamei, rindo. E bem nessa hora eu lhe dei um beijo, daqueles bem sutis e demorados, e que fazem o coração acelerar e o corpo todo estremecer e arrepiar. E que traz milhares de sensações ao mesmo tempo. Você deve estar pensando que essa é uma daquelas cenas lindas de filmes, mas na realidade é bem diferente... E o primeiro beijo sempre é marcante...
— Entendeu agora, o que eu tinha pra te dizer, Kousei? — inquiri, fitando-o — Eu te amo, disse singela — e por um momento senti que todo aquele momento estava acompanhado de uma explosão de cores, e que pertencia somente a nós. 

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