[Fanfic] Capítulo 8

Capítulo 8– Surpresas

Depois de uma noite bem dormida, acordei bem humorada, disposta para mais um dia. Espreguicei-me na cama, e o dia raiando, aquele brilho ofuscante entrando pela janela.
O café da manhã foi entregue alguns minutos depois, pela própria nutricionista do hospital, que disse que a minha dieta seria a mais leve possível. Nenhuma novidade, a não ser pelo fato de que só eu recebo notícias desse tipo a essa hora da manhã (7h30, para ser exata). Tem coisas que só acontecem comigo!
Por incrível que pareça, não estava com tanta fome. Mordisquei um pedaço de pão e tomei um gole de chá. A gelatina (que sempre está inclusa) estava parecendo água, de tão mole, então eu praticamente “tomei” a gelatina. Mas, ok, a comida “deu para o gasto”, isso que importa.

Depois disso, eu praticamente só assisti televisão. (e respondi mensagens via celular aos meus amigos, de tempos em tempos). Por isso, de forma geral, o começo do meu dia foi bem entediante. O mais extraordinário que aconteceu foi a Yukie chegar com uma amiga dela (não sei o nome) para tirar o meu sangue. Mas isso não durou mais que 5 minutos. Por isso eu digo que foi um tédio total!

Ah, a única coisa realmente boa do dia: Doutor Kei chegou algumas horas mais tarde, me liberando da UTI, e me levou para o meu quarto do hospital, e na porta se via meu nome em uma pequena placa: Kaori Miyazono. Agradeci ao médico por me acompanhar até lá, e ele como sempre respondeu dizendo que isso não era nada demais, e que tem que zelar pelos pacientes. Logo após a saída dele, já sentada na cama, comuniquei aos meus pais e aos meus amigos que já estava no quarto, muito feliz com isso! #até que enfim.

Mas, se querem saber, o meu dia começou quando um certo alguém chegou, por volta das 14h.

Bateu umas duas vezes na porta e disse:
— Sou eu, seu “Amigo A”!
— Entra logo! — falei em meio às risadas, por causa do jeito que ele havia exclamado.
Quando entrou, cumprimentou-me com um “olá”. Fiz o mesmo:
— Oi, Kousei—saudei-o, tímida, um pouco sem jeito.
— Como se sente?— perguntou com cautela, tocando nas minhas pequenas mãos
—Bem melhor — respondi, ainda com a minha mão sob a dele, desejando que isso se repetisse mais vezes.
— É mesmo?
— Sim. É que o dia começou bem, sabe — omiti tentado disfarçar, não querendo expressar meus totais sentimentos por ele naquela hora.
— Então, você está pronta para receber uma surpresa?
— Claro — exclamei de imediato, ansiosa para saber qual era a surpresa.
— Espere um pouco então — avisou

E com a porta entreaberta, Kousei disse baixinho:
— Podem entrar, gente!
Após ele dizer isso, meus amigos Tsubaki e Watari chegaram à tona, me pegando de surpresa de verdade. Chegaram todos alegres, me fazendo sorrir também.
Watari sorriu e me acenou, como fazem os “manos”. Já a Tsubaki, ficou tão feliz em me ver que foi logo falar comigo e me abraçou bem forte (mas bem forte MESMO)
—Ai, amiga, que bom te ver —falou meio chorosa, mas daquele jeito só dela, toda escandalosa, mas que aprendi a gostar —Nesse momento ela me deu aquele abraço apertado que só eu sei como foi.

Daí eu disse:
— Olha, amiga, eu também estou muito feliz em te ver, mas pode me soltar—falei, praticamente implorando a ela — Tá sufocando!
— Foi mal — se desculpou— e subitamente me soltou (aliás, largou né?)
— Da próxima vez vê se não quebra a Kaori no meio viu? — comentou Kousei, na defensiva
— Senão não sobra a Kaori pra você, né cara? — atacou Watari, brincalhão.
— Cale a boca, tá? — Quase gritou, atraindo nossos olhares.

E após tomar o fôlego de novo, disse:
—Só não quero que ela tenha um treco, pare de respirar, ou algo do tipo — se explicou, tímido, o rosto corado.
— Sei... — falou o Watari, desconfiado

Depois, ele e a Tsubaki o fitaram, e Kousei perguntou:
— Que caras são essas? Que foi?
— Nada...— disseram ao mesmo tempo, presunçosos.

Vendo o desconforto do meu amigo, eu decidi mudar de assunto:
— Ei, vocês dois! — apontei para Tsubaki e Watari — Como estão as coisas?
—Bem difíceis. É pra suar a camisa mesmo — começou a Tsubaki, colocando a mão na testa, como se estivesse “suando” de verdade.
Eu ri
—É, imagino! — falei, ainda em meio às risadas.
E, olhando na direção do Watari, perguntei:
—E você, como tem se saído, mano? — perguntei do mesmo jeito que ele fala com os outros, fazendo o gesto em forma de “V” com as mãos.
—Ah, você sabe! O adversário não é pra qualquer um então é treino toda hora!
—É... Vida de campeão é assim, cara! — provoquei
— Pior que é mesmo! — concordou ele, rindo.
Após alguns minutos, a Tsubaki me diz:
—Ah, Kaori, ia quase me esquecendo! — Trouxemos doces pra você!
—Sério? Obrigada, gente! — agradeci, quase pulando de alegria!
—Tem vários — falou a minha amiga
Cada um de nós pegou a sobremesa que mais agradava. Eu peguei um pedaço da torta de morango, um de meus doces prediletos (*já disse que minha fruta favorita é morango? Parecem coraçõezinhos).
Olhei frente a frente para Kousei, e olhando fixamente para suas íris azuis, perguntei com doçura:
—Quer metade? — ofereci a ele, carinhosamente.
—Posso mesmo?
— Pode sim. — respondi, sorrindo — ele pegou a metade, enquanto eu continuei:
—E lembre-se sempre, Kousei: Pessoas que gostam de doces são pessoas que querem ser felizes.
—Kaori... Obrigado — disse suspirando e acariciando meus longos e lisos cabelos loiros, com uma das mãos sobre a minha, o que fazia meu corpo se encher de arrepios.
—De nada — respondi, tentando esconder a timidez em meu rosto.

Nesse instante ouviu de novo um “hummm” vindo de nossos amigos.
Kousei logo foi se defender:
—Q-Que isso? Não se pode nem mais conversar com uma garota? — inquiriu, nervoso
—Exatamente! — fuzilei-os com o olhar — e essa única palavra serviu-lhes para calar a boca

Depois disso, a conversa entre nós quatro transcorreu naturalmente. Eles me contaram sobre tudo o que havia acontecido de mais bombástico na escola nos últimos tempos: as risadas, brigas, dificuldades (que são muitas), vitórias, e até mesmo algumas fofocas que rodavam entre os alunos. Entre as minhas inúmeras reações em relação ao que estavam me contando, posso dizer que me diverti demais com eles. Estávamos todos muito entretidos na conversa, até que por volta das 19 horas, o Watari tomou a palavra:
—Olha galera, vou indo nessa! Vamos, Tsubaki? Temos um dia cheio amanhã!
—Temos? — Tsubaki perguntou, distraída.
—É claro que temos! — exclamou, dando-lhe uma cotovelada.
—Ah, é mesmo! — disse, coçando a cabeça.
—Então vamos logo! — exclamou Watari, já puxando a Tsubaki pelo braço.
—Tchau — disseram — e se foram 

A partir daquele momento éramos apenas eu e Kousei. Aproveitei que estávamos a sós para lhe agradecer pela surpresa que tive naquela tarde
—Sabe, obrigada por ter trazido nossos amigos para virem até aqui.
— Imagina! Sei o quanto você se sente solitária, por isso...
Mas ele não completou a frase, porque na mesma hora eu falei, com toda a certeza que cabia em mim:
— Mas agora eu não estou mais sozinha
— Verdade, você teve bastante companhia hoje! — ele disse, referindo-se à tarde que tivemos.
—É, mas tem alguém que me faz bem mais do que apenas companhia...

E naquele instante percebi o quanto a Lua estava brilhante e decidi ir até a varanda para observá-la mais de perto
—Kaori, o que você está fazendo aí? — falou, como quem dá bronca em uma criança
—Só estou observando o céu — respondi
— Mas, você não está totalmente recuperada, Kaori — ele alegou, visivelmente preocupado comigo.
— Mas eu estou cansada de ficar presa no quarto — choraminguei
— Oh, meu Deus, começou a teimosia — comentou —.

Depois de um suspiro, cedeu ao meu pedido e continuou:
— Tudo bem, mas só por um tempinho. A vista do céu realmente linda!
—É mesmo — concordei encantada, olhando para a Lua.
— Mas você é mais — declarou, e eu coloquei a mão na boca de tão impressionada.
— Obrigada — agradeci acanhada, e corada.
— E pra quem gosta de surpresas, eu tenho uma última — falou fazendo suspense pra mim.
— O que é?
— Isso — ele me mostrou um buquê de rosas vermelhas — São flores, para outra flor.
— São lindas! Obrigada — exclamei, genuinamente feliz e beijei-lhe a bochecha dos dois lados.

E quando eu menos esperava me surpreendo ainda mais com as palavras de Kousei. E foi sob aquele vasto céu estrelado, com uma lua brilhante e cristalina, que ele me fez uma última declaração dizendo:
— Gosto de você, Kaori, de verdade — E não é só como um amigo.
Ainda sem palavras que pudessem explicar tudo que eu sentia por ele, eu respondi de forma solene:
— É recíproco esse sentimento, sabia?

Dessa vez, foi ele quem se surpreendeu. No fim das contas, eu também sou uma caixinha de surpresas.
Ficamos observando as estrelas um bom tempo, encostados um no ombro do outro, e dizíamos qual era a nossa preferida ou coisa do tipo.
Mas, chegou um momento que ele disse, com um pouco de decepção, mas com compaixão na voz:

— Kaori, vamos entrar. Está na minha hora de ir
— Não — protestei — Fica aqui — pedi
— E posso?
— Não sei. Mas fique aqui — insisti
— Tudo bem, ficarei ao seu lado querida.

Com essa certeza de que teria alguém especial por perto, meu coração ficou mais leve e a noite mais amena. Adormeci logo em seguida, repleta de sentimentos calorosos.

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