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Rebeca Arimi Suzuki

Rebeca Arimi Suzuki

[Fanfic] Capítulo 7 - Conversas

Bom, depois daquela revelação, fiquei chocada, já que não é o tipo de coisa que eu escuto todo dia, ainda mais de um certo “amigo” meu. Quer dizer, ele me surpreende às vezes, mas por essa eu não esperava mesmo!
Mas, o fato é que ele deve ter percebido (ou deduzido) a minha reação, do outro lado da linha, quando me perguntou:
—Kaori, você ainda está aí?
—Estou sim— respondi, tentando soar o mais natural possível — Por que a pergunta?
—Porque você não respondeu de imediato como sempre faz — apontou como se fosse a coisa mais óbvia que existe
Pronto. Eu estava certa. Ele realmente percebeu. Se tem alguém que me conhece bem, é o Kousei.
—Ah...— suspirei, sem ter uma resposta melhor para aquilo.
—Posso te visitar amanhã? — interrogou, de repente, visivelmente querendo mudar de assunto para melhorar o clima da nossa conversa
—Claro — respondi, singela, com um sorriso na voz.
—Então estarei aí. E com uma surpresa pra você, querida
—Eu não sou sua “querida”, Kousei — protestei, fingindo indignação
—Ainda não — disse suavemente —Mas um dia vai ser —completou, carinhoso.
Sério, Kousei sabe me surpreender. Hoje deve ter sido o dia dos milagres pra poder me deixar sem palavras duas vezes
—Então até amanhã — comentei com carinho, esperançosa
—Até. Se cuida, hein! — E desligou

Finalizei a ligação ainda pasmada. Eram umas 18h30min no relógio do celular

Um minuto depois eu ouvi alguém bater na porta. Bom, não se tratava de uma pessoa, mas de várias. Tratava-se de meus pais e do doutor Kei (que dessa vez não estava com a Yukie por perto)
Quando eu vi os três entrando no meu quatro, abri um sorriso imenso, ao qual eles também me retribuíram, igualmente felizes em me ver.
Ao adentrarem o local, meus pais logo me acariciaram carinhosamente. Mas foi o doutor o primeiro a se pronunciar:

—Olá, Kaori — saudou-me educadamente
—Olá doutor— respondi da mesma forma
E após uma pausa, continuei, fitando-o:
— O que o traz aqui?—foi a minha pergunta, em tom de curiosidade
—Vim fazer umas perguntas a você e aos seus pais sobre o seu estado de saúde, Kaori
—Que tipo de perguntas? — quis saber
—Não se preocupe, são coisas básicas que os médicos precisam saber.— alegou, com naturalidade
—Então tá— falei tranquila, mesmo sem ter nenhuma ideia do que viria pela frente
—Primeiramente, como está se sentindo?
—Estou ótima!—comentei, alegre—Só um pouco cansada por causa do dia cheio que tive hoje — completei com sinceridade
—Entendo. Qualquer um no seu lugar se sentiria assim— disse, claramente demonstrando compreensão do que eu sentia
—Não tem sentido nenhuma dor? — foi a pergunta seguinte
—Não, estou bem. E sou forte!—exclamei, bem humorada, lançando-lhe uma piscadela
—Eu sei—respondeu, piscando de volta para mim— Mas e quanto às enfermeiras? Já chamou elas alguma vez?
—Chamei sim, mas é muito raro. No entanto elas sempre vem aqui para ver como estou. Estão cuidando muito bem de mim
—Ok, obrigada Kaori. — disse calmo, com expressão de que já havia terminado as perguntas destinadas a mim.

E depois olhando fixamente para meus pais, ele se manifestou:
—Agora é a vez de vocês — declarou o meu médico, com aquela postura séria.
—Entendido — responderam meus pais, sem hesitar.
—Como a Kaori tem se sentido?
Minha mãe foi a primeira a se pronunciar:
—Bom, como ela mesma disse, não tem sentido nenhuma dor. Mas pelo que percebi, a pressão ainda varia bastante e por isso as enfermeiras sempre vem checar se está tudo sob controle
—Varia como? — inquiriu o doutor
—A pressão dela abaixa às vezes
—Hum... — doutor Kei estava pensativo em relação ao que minha mão havia acabado de dizer— É preciso ficar atento a isso. Em muitos casos, a pressão baixa ocorre por causa da hemodiálise, mas se isso acontecer constantemente pode ser que o “normal” de sua filha seja pressão baixa, o que chamamos de hipotensão.
—Compreendo — foi a reação de minha mãe —
—Mais alguma coisa a declarar?— interrogou ele, como quem quer saber de absolutamente tudo a respeito do estado de saúde da paciente (ou seja, eu).
—Só para que fique ciente, as enfermeiras já vieram aqui tirar o sangue da Kaori. — apontou minha mãe, com honestidade.
—Me alegra e alivia saber disso — comentou —Aliás, elas virão aqui todos os dias, para tirar sangue, pois será parte do tratamento dela, dadas as circunstâncias de que a mocinha aqui —apontou o dedo na minha direção— tem problemas sanguíneos, devido também à anemia, fato que já era de conhecimento de vocês há bastante tempo. A partir dos resultados dos exames de sangue, concluirei se será necessário fazer hemodiálise contínua, isto é, umas 2 ou 3 vezes por semana
—Ah, não! — reclamei indignada, sem vergonha nenhuma na cara.
O médico abriu um sorriso pretensioso, com aquela pontinha de malícia, como se estivesse se divertindo com a minha expressão de indignada.
Em contrapartida, minha mãe logo se prontificou em desculpar-se ao doutor Kei (aquele talento em pessoa).
—Me desculpe pelas palavras de minha filha doutor —falou solene — E obrigada pelas informações.
Tranquilo, o médico respondeu:
—Sem problemas, senhora — disse à minha mãe.
E sem perder tempo, ele logo olhou para mim, com aquele olhar penetrante (no qual suas íris castanhas brilhavam mais ainda) e disse:
—E quanto a você, senhorita, só estou avisando de antemão as possibilidades. Mas como bem sabe, tudo dependerá de como as coisas tomarão seu rumo. — a fala naquele tom sério, em que eu sinto que suas palavras são inquestionáveis.
—Então eu posso esperar o melhor das possibilidades?— inquiri, enfatizando a palavra possibilidades, assim como ele fez.
—Pode pensar positivo, sim. Mas tem que lembrar que precisará se esforçar bastante— me avisou, nessa hora de forma mais amena.
—Pode deixar! —exclamei com expectativa —Vou fazer o meu melhor— Garanti a ele
— É assim que se fala garota!— comentou bem humorado, apostando em mim e aprovando a minha atitude.
—Vai vir aqui amanhã também? — perguntei por perguntar
—Vou sim, tenho que acompanhar cada passo seu enquanto estiver sob meus cuidados. Mas por hoje é só! — finalizou. Depois acenou para meus pais (que não estavam tão longe assim da gente) e se foi

Após o doutor sair do quarto, olhei no relógio do meu celular (com capinha de morangos, minha fruta preferida) e percebi que já eram quase 8 horas da noite. Logo chegaria o jantar (esperava que fosse algo apetitoso), mas enquanto isso assistiria à televisão com meus pais, já que aquela altura já estava para começar o programa The Voice
Durante o programa, meus pais e eu estávamos torcendo para Alicia, aquele doce de pessoa ganhar a competição. Eu sempre torcia pelas participantes que me surpreendiam na hora de cantar, observando também a expressão facial e corporal de cada uma. Era um critério que eu considerava muito importante para quem está no ramo da música.
Mas, quando estava nos comerciais, minha mãe decidiu perguntar baixinho:
—O que o seu amigo te disse hoje?— quis saber, curiosa (até demais para o meu gosto)
— Muita coisa. Mas principalmente, disse que ia fazer uma surpresa — comentei por fim, com uma mistura de ansiedade e esperança na voz, e um brilho no olhar.

Um pouco depois, naquela noite...

Após comer toda aquela janta (que não era tão gostosa quanto parecia) continuei na companhia de meus pais. No The Voice, Alícia venceu, para nossa alegria. Mas foi só eu me aconchegar um pouco mais perto de minha mãe, que meus olhos começaram a se fechar.
Nesse momento, só lembro da minha mãe ter dito:
—Durma bem, filha. Sonhe com os anjinhos — falou acariciando levemente meu rosto e meus cabelos, com aquele carinho de mãe que eu tanto amo
Por isso, naquela noite, eu caí num sono profundo, já sonhando às leves asas da imaginação.

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Sobre
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