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Rebeca Arimi Suzuki

Rebeca Arimi Suzuki

[Fanfic] Capítulo 5

Capítulo 5 – Pós-cirurgia

Fui com o doutor Kei e a Yukie (a enfermeira assistente dele) para a UTI, acompanhada de meus pais. Nada de especial, a não ser pelo fato de que lá na UTI as enfermeiras estão sempre correndo para lá e para cá de tão atarefadas que são com tantos pacientes. Aí a gente só escuta os passos delas toda hora, mas tudo bem, porque é esse o normal da rotina delas.

Quando cheguei ao local, meu corpo ainda estava fraco por conta da hemodiálise, e por isso a Yukie e o doutor Kei me colocaram na minha cama (um pouco dura, para dizer a verdade), e já me deixaram deitada, para efeito de uma melhor recuperação. De outro lado, já era um alivio saber que agora era só uma questão de tempo até que eu me recuperasse por completo (seriam alguns longos meses, mas valeria a pena). Mesmo assim, resolvi perguntar ao médico:
—Doutor Kei, há previsão de quanto tempo irá demorar a minha recuperação?
—Sabia que ia perguntar isso, Kaori — comentou bem humorado, piscando para mim.
Abri um sorriso.
— Para se recuperar por completo deve demorar pelo menos mais uns três meses, mas isso depende de você, e de como reagirá ao pós-operatório. — disse, em tom de aviso. — E lembre-se: Se precisar de algo, é só chamar alguma das enfermeiras — completou por fim.
—Obrigada— respondi
Depois, olhando para os meus pais, o doutor perguntou:
—Posso conversar com vocês em particular por um momento?
— Claro — foi a resposta imediata de meus pais
Eles se retiram do meu quarto por alguns minutos, enquanto eu apenas imaginava sobre o que seria a tal conversa.

O doutor começou:
—Como devem saber, o pós-operatório é sempre muito delicado independente de qual tipo de tratamento a pessoa está submetida. A equipe médica estará à disposição para cuidar da Kaori, mas peço a vocês que como pais, que, sempre que vierem visitá-la, estejam bem atentos às reações dela e como ela se sente, pois qualquer alteração em seu estado pode ser extremamente significativa para a recuperação, levando em consideração o tempo de sua estadia aqui no hospital. Por isso, para qualquer coisa que ocorrer me avisem.
—Pode deixar, estaremos atentos a tudo que for a respeito de nossa menina. — respondeu a minha mãe, a certeza na voz.
— Também estarei acompanhando minha filha, quero vê-la bem de saúde logo — comentou meu pai, assim que lhe foi dada a palavra.
—Fico feliz em ouvir isso, o apoio da família é importantíssimo para o desenvolvimento e a melhora de uma pessoa. — declarou o meu médico, gentilmente — Bom, por agora é só, mas já sabem, fiquem a vontade para me informar do que for necessário.
—Obrigada, doutor— disseram meus pais em um uníssono.

A conversa durou no máximo uns 10 minutos porque algum tempo depois, meus pais adentraram a porta entreaberta do meu quarto. Estavam com a expressão tranquila, então decidi não me preocupar. Mas, mesmo assim, perguntei:
—Como foi a conversa com o doutor?—interroguei de forma natural, olhando fixamente para eles.
Minha mãe se manifestou primeiro:
—Foi bem produtiva e tranquila. O doutor Kei apenas nos deu orientações de como devemos agir em relação a você a partir de agora, querida. Afinal, o médico precisa constantemente ficar sabendo como está se saindo na sua recuperação. Quer ir para casa logo, não quer filha?
—Quero sim— respondi tímida, receosa do que mais poderiam me falar.
—Por isso nós vamos te acompanhar para ver como se sente a cada dia. Você não está sozinha, pureza. Estamos sempre ao seu lado.

Quando meu pai me chamou de “pureza” eu me surpreendi, e até me emocionei um pouco. “Pureza” é o apelido carinhoso que papai me deu desde que eu nasci. Ele diz que é porque apesar de eu ter um temperamento forte, o meu coração deve permanecer sempre puro. Achei isso fofo da parte dele. E mesmo que agora ele não me chame assim com tanta frequência, eu ainda gosto disso, pois demonstra um carinho especial, que só ele (e apenas ele) tem por mim.
Sem ter mais o que dizer, agradeci aos meus pais dizendo:

—Obrigada. Amo muito vocês!— disse com toda a sinceridade e alegria que podia expressar— e como um pequeno gesto de carinho, eu beijei-os no rosto, como costumava fazer na época de criança.
—Nós também te amamos muito, minha filha!—disseram os dois ao mesmo tempo.
Ao ouvir isso, as lágrimas escorreram de meu rosto, e eu os abracei fortemente, como se fosse quebrá-los. Desde criança, fui muito apegada aos dois, porém fazia tempo que não nos abraçávamos dessa maneira, e por isso eu o fiz com tanta vontade. Aquele era o nosso momento em família, e que nada nem ninguém poderia tirar da gente.

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