[Fanfic] Capítulo 4

Capítulo 4
Dia seguinte — Dia da cirurgia

Acordei cedo com a minha mãe ao meu lado (eu sei que eu não menciono muito ela, mas ela está sempre me acompanhando). Passados alguns minutos uma enfermeira vem trazer o meu café da manhã: pães fresquinhos com uma xícara de chá preto (acompanhado de um saquinho de açúcar). Ah, e também tinha gelatina (eles insistem em dizer que comer gelatinas faz bem à saúde). Com a fome que estava, comi tudo o que tinha direito, como se nunca tivesse comido pães com manteiga na vida! É... Se tem alguém que come pra caramba, essa sou eu.
Mas só deu o tempo de comer e fazer a digestão, que uma hora depois, o doutor Kei (com uma enfermeira assistente, a Yukie) chegou dizendo:
— Pronta Kaori? Vamos fazer a cirurgia logo
Eu apenas assenti com a cabeça, concordando com ele. Eu sabia que “logo” era o mesmo que “nesse instante”
— Por favor, coloque essa roupa para te proteger— recomendou a enfermeira.
— Ok — foi a minha breve resposta.
E assim se fez. Fomos a caminho da sala de cirurgia. Minha mãe me acompanhou até lá. Dei um beijo em seu rosto e a acariciei uma última vez.

— Vamos dar início à cirurgia — pronunciou-se doutor Kei — Transplante de rim
Lembro-me bem desse dia (embora não quisesse lembrar): Aquilo que levou questão de horas (demora umas três ou quatro horas) pareceu que duraram anos (sem exageros). Minha própria mãe foi minha doadora (sim, nosso sangue é compatível), o que me deixou um pouco mais tranquila.
Mesmo assim, não amenizou muito a situação em geral.
Todo cuidado é pouco para se transplantar o rim, para unir os meus vasos sanguíneos a este novo órgão.
Além de ter que implantar nele um ureter (órgão que leva a urina ao rim). Todos tiveram que fazer tudo com muita atenção e delicadeza, para que não houvesse nenhum tipo de problema.

Depois, como se não bastasse, e também porque eu sou uma garota de muita (falta) de sorte, e o meu caso não era tão simples assim, eu soube que teria que passar por uma hemodiálise (pra quê inventam esses nomes?) – que durou mais 4 horas - para que o meu sangue ficasse mais livre de impurezas (sim, a minha bendita anemia afeta meu sangue de alguma forma). Mesmo cansada, querendo que tudo aquilo acabasse logo, segui em frente, porque, aliás, foi bem nessa hora que eu escutei vários gritos vindos de trás da porta de cirurgia. A voz era inconfundível: Arima Kousei
Ele gritava meu nome repetidas vezes, implorando a mim:
— Kaori! Kaori! — Seja forte, Kaori! Não desista!

Essas palavras apesar de serem pronunciadas com tristeza, agonia, (ou qualquer outro sentimento que fosse) estranhamente me traziam sensação de reconforto, tranquilidade e me davam forças para continuar seguindo em frente. Todo aquele pavor que eu sentia simplesmente havia sumido e a confiança estava de volta. E isso era o que mais me importava.

Kousei continuou dizendo o meu nome muitas e muitas vezes, mas teve um momento que ele subitamente disse, ainda implorando:
—Me deixa tocar violino com você de novo — Não importa se eu sou só o seu “Amigo A” — me deixe retribuir a alegria que você me deu, Kaori!! — Por favor!
Nessa hora eu simplesmente não aguentei. Acertou o meu coração pior que alfinetadas.
Ele estava pedindo para eu tocar com ele de novo e estava sofrendo de verdade, e eu não queria isso, não mesmo! Isso me deixou muito decepcionada.
Mas, de outro lado, ele me lembrou de algo extremamente importante: a razão pela qual eu estava passando por aquele sufoco tremendo; eu queria voltar a ser violinista não importava como.
Então, decidi que faria o que Kousei me disse: não desistir nunca. E foi exatamente isso que fiz, porque estava determinada a continuar o meu caminho.

Mas sempre tem mais alguma coisa para complicar, então se você, leitor, por acaso está pensando que as coisas não são tão simples quanto parecem, acertou em cheio, porque a minha situação é basicamente isso e mais um pouco!
Por causa da hemodiálise fiquei com dor de cabeça e a minha pressão abaixou (é dose ter pressão baixa), por conta de que às vezes a minha pressão fica instável (mas eu já me acostumei a isso).
O que me impressionou (pena que não de forma positiva) foi o fato de que cheguei a perder bastante sangue no processo, o que me assustou um pouco (não estava esperando uma hemorragia logo naquele momento, sério!), mas o meu médico, doutor Kei, me informou que a hemorragia é um dos efeitos mais comuns durante o tratamento, e por isso eu não precisava me preocupar. Só avisou que demoraria um tempo para recuperar todo o sangue de que o meu corpo precisa, o que de fato aconteceu, mas na verdade foi tranquilo.

No fim das contas, tanto o transplante quanto a hemodiálise foram bem sucedidas. Todos ficamos felizes e muito, muito felizes! Meus pais se emocionaram (minha mãe estava comigo no hospital e meu pai havia chegado ao fim da tarde, preocupado) de tanta alegria e alívio que sentiam (não querendo ser pessimista, mas eles sabiam o tempo todo que teriam que estar preparados para qualquer resultado).
Até o doutor se impressionou com o ocorrido. Entretanto, avisou categórico, mas com cautela:

—Kaori, a cirurgia foi um sucesso, mas você terá que ficar de observação na UTI pelo menos um dia e uma noite, para que eu possa saber como o seu corpo está reagindo aos efeitos do processo e quais as medidas que vou precisar tomar em relação à sua saúde daqui em diante. Seus podem te acompanhar também. Após isso, você já poderá ir para seu quarto, no 6° andar. Estamos entendidos?

Apenas assenti, concordando, pois sabia que ele tinha razão. Era o melhor a se fazer.

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