[Fanfic] Capítulo 1

Capítulo 1 – Kaori
Dois meses antes – Primavera
Ah, eu me lembro. A primavera é a estação do florescer, de um novo início. Foi quando eu encontrei inspiração para tocar cada dia a mais e quando decidi que iria participar de todos os concursos de música que aparecessem. Isso foi em abril. No mesmo mês que conheci Arima Kousei, o pianista prodígio da minha idade. No começo da primavera foram apenas dias de alegria. Ficamos amigos, demos forças um ao outro (Kousei superou seus medos), fomos a um concurso musical e aproveitamos o tempo livre com nossos amigos Watari e Tsubaki. Com o passar do tempo, eu e Kousei fomos nos aproximando e nos gostando cada vez mais.
Essas são as boas memórias dos últimos dois meses.

Contudo, quase no fim da primavera, tive uma recaída repentina. Meus pais me levaram imediatamente ao hospital. De início, eu pensei que seria algo simples, como fazer alguns exames, por exemplo, da mesma forma que já tinha ocorrido várias vezes.
Mas, daquela vez, a situação havia tomado uma proporção bem maior do que todos nós (eu e meus pais, até o momento) imaginávamos ser.
Chegando ao hospital, o doutor Kei disse com a maior franqueza e cautela que conseguiu:
—Lamento ter que dizer isso, mas vocês terão que ser fortes e ter muita fé, porque da maneira como a situação está tomando seu rumo, neste momento, a única solução é a Kaori fazer uma cirurgia de urgência. Mas não percam a esperança. Por mais difícil que seja, acreditem que dará tudo certo.
Naquele momento, a reação de meus pais foi tanto de surpresa quanto de frustração. Por isso, após ouvir tudo o que o médico tinha a dizer, meus pais não conseguiram conter as lágrimas, já que não esperavam nada daquilo. Nem eu mesma esperava tal notícia, no entanto, eu me mantive firme e forte, como sempre, e disse ao doutor, com o máximo de firmeza:
—Eu aceito. Se há uma esperança, eu quero fazer a cirurgia. Eu quero viver muito mais, porque sei que ainda há muito mais por vir. Quero continuar a tocar violino, e entrar para o concurso Nacional, então farei qualquer coisa para melhorar, e se essa é mesmo a única saída, vou segui-la.
Tanto o médico quanto meus pais ficaram paralisados, impressionados e felizes com a minha determinação. Após um instante de silêncio entre nós, meu médico diz:
— Vejo que está bem decidida quanto ao que quer. Então, querida, peço que esteja 100% para depois de amanhã já fazer a sua cirurgia.
Assenti com a cabeça concordando com ele. Não havia o que discutir.
Mas no fundo estava bem preocupada sobre como as coisas tomariam ritmo. Não queria preocupar ninguém. Nem meus pais, nem meus amigos. Mas também queria poder dizer a alguém o que está se passando. Queria um apoio a mais e alguém para falar sobre qualquer coisa que fosse só para passar o tempo. Fazia falta não ter com quem conversar.  Foi então que decidi ligar para uma pessoa que sabe melhor que eu o que é passar por situações difíceis e com quem eu podia me abrir: Arima Kousei, meu “Amigo A”. (não me perguntem o porquê desse apelido, foi a Tsubaki-chan que inventou, então pergunte a ela).

Ele me atendeu ao primeiro toque como de costume.
— Alô. Aconteceu alguma coisa, Kaori? Está bem de saúde?
— Vou fazer uma cirurgia daqui a dois dias, no mesmo dia que você vai fazer a apresentação de piano. Mas não precisa se preocupar comigo. Diga o mesmo a Tsubaki- chan e Watari-kun se eles perguntarem se tem notícias minhas.
— Tudo bem, eu digo a eles.
— No concurso faça o seu melhor e fique tranquilo. Não pense em mais nada. Só pense na paz que o piano te traz. — eu disse sincera
— Você também, se esforce bastante. Você consegue. — me encorajou, todo sério.
—Ah, é? Como sabe? — provoquei, em tom de brincadeira, para quebrar o gelo.
Deu certo. Senti que agora ele também tinha um sorriso na voz, ao que respondeu:
—Você é Kaori Miyazono, sempre consegue tudo, de tão teimosa! — falou brincalhão.
Por um momento, fiquei surpresa. Não esperava esse tipo de resposta, mas entrei na brincadeira do meu amigo:
— Nossa! Até parece que você não é tão insistente quanto eu! – respondi, no mesmo tom.
Ele deu risada.
— Você é impossível, garota!
— Você é depressivo. Mas é camarada, sabia?
— Valeu. Foi um elogio, não foi?
— Ainda não. — provoquei de novo, brincalhona.
E com um tom mais calmo e sério (mas não tão sério) perguntei:
— Vem me visitar aqui no hospital amanhã?
— Venho, por quê?
— Tenho muito mais a dizer para você — Me apressei em dizer
— Tem? — perguntou surpreso
— Sim, por isso esteja preparado — adverti, séria—.
Depois, de maneira mais leve, emendei:
— Ah, também tenho uma coisa pra pedir! — falei, toda alegre
— O que é?
— Traz doces pra mim. Quero comer caneles!

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