Empreendedores faturam R$ 300 mil com delivery de saladas em favelas

Da revista Pequenas Empresas Grandes Negócios 
Os serviços de entrega de saladas, que começaram a aparecer no Brasil nos últimos anos, oferecem uma opção de comida saudável a pessoas sem muito tempo. No entanto, cobram valores que podem ser proibitivos para pessoas mais pobres cobravam. Pois o Saladorama, um negócio social criado no Rio de Janeiro em março deste ano, nasceu com o propósito de universalizar o acesso à alimentação saudável. E de, inclusive, oferecer as saladas a preços mais baixos para quem mora em comunidades. Hoje, presente na capital fluminense e em Recife (PE), a meta do Saladorama é chegar a todos os estados brasileiros até o fim de 2018.

A inspiração para um negócio pode surgir de qualquer lugar. A do Saladorama veio de uma lasanha de berinjela. Explica-se: quando trabalhava em um coworking carioca, Hamilton Henrique, 26 anos, sempre via pessoas comendo o prato. Ele, morador de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, nunca tinha ouvido falar na tal lasanha.

O episódio fez com que Henrique refletisse sobre a falta de acesso a opções de alimentação mais saudável dentro das comunidades. A partir daí, surgiu a ideia do negócio. Posteriormente, a nutricionista carioca Mariana Fernandes, 22, e a designer e engenheira recifense Isabela Ribeiro, 25, entraram na sociedade.

Antes da abertura oficial do Saladorama, há sete meses, o projeto foi acelerado pela Yunus Negócios Sociais Brasil, organização ligada a Muhammad Yunus, guru desse tipo de empresa e vencedor do Nobel da Paz em 2006.

Hoje, o Saladorama funciona como um negócio social genuíno. Todo o lucro obtido com o Saladorama é reinvestido, a fim de ampliar a atuação da empresa. Os sócios ganham apenas um salário. "Os ganhos são um pouco mais atrativos que a média de mercado. De modo geral, recuperamos apenas o que foi gasto no investimento inicial do negócio", diz Isabela.

A primeira unidade do Saladorama foi inaugurada em São Gonçalo, cidade natal de Henrique. Depois, a empresa inaugurou sedes na Favela Santa Marta, no Rio, e no bairro Nova Descoberta, em Recife. Os interessados nas saladas podem recebê-las por delivery, dentro ou fora dessas comunidades, e encontrá-las em academias, lojas de conveniência e coworkings, dentre outros locais.

O Saladorama tem dois tipos de salada. O primeiro é o tradicional, vendido em embalagens de 500 ml ou 700 ml. No total, a empresa oferece 45 itens. Desse total, os clientes podem escolher cinco ingredientes para as saladas menores, ou oito para as maiores. A refeição custa entre R$ 15 e R$ 20. Também é possível fazer assinaturas mensais, o que faz o preço por salada ser menor. Cada uma custa entre R$ 12 e R$ 16,25.

Há também uma modalidade mais barata, voltada para os moradores das comunidades. São quatro tipos de saladas, vendidas em embalagens de 500 ml por R$ 9.

Além das saladas, o Saladorama vende por R$ 7,50 uma opção de lanche, voltada para crianças, composta por um suco natural, um carboidrato e uma sobremesa saudável. Por fim, a empresa tem molhos no valor de R$ 10. Os condimentos vêm em embalagens que têm poemas de artistas de rua, que ganham R$ 2 a cada molho vendido. Vale ressaltar que todos os produtos são totalmente orgânicos.

Aceitação
Isabela afirma que, normalmente, as pessoas das comunidades costumam priorizar o consumo de arroz, feijão e carne em suas refeições. A salada, quando presente, é um acompanhamento a essa combinação predominante, e só tem alface, tomate e cebola. Ao mostrar que a salada pode ter muito mais ingredientes e não custar caro, a aceitação é alta. "A comunidade vê valor na proposta de levarmos uma alimentação saudável até ela. E compra essa ideia."

A aceitação se reflete nas vendas da empresa. A sócia afirma que 40% do total das saladas vendidas são consumidas pelos moradores das comunidades. A maior parte dos funcionários do Saladorama também vem das regiões em que estão as unidades da empresa.

Atualmente, o faturamento anual do Saladorama é de pouco mais de R$ 300 mil. Para o futuro, os sócios não falam de meta de faturamento, mas planejam que suas saladas sejam consumidas por 50 mil pessoas neste ano. Em 2018, o negócio social planeja chegar a 1 milhão de clientes. "Nosso grande sonho é que todos os estados possuam ao menos uma base nossa até lá", afirma Isabela.

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