Cultura: Das origens à atualidade (4/4) - Novos pontos de vista sobre cultura

Introdução pela repórter Larissa Alves 

Olá, você sabe o que é cultura? Cultura é um conjunto composto por conhecimentos, crenças, arte, moral, costumes e direito, adquiridos pelo homem na vida em sociedade. Confira outros pontos de vista sobre essa definição, na entrevista com o antropólogo Antônio Guerreiro

Como pode ser definido o conceito de cultura? 
Roy Wagner traz uma nova forma de olhar para isso dizendo o seguinte: "Olha, ao invés de a gente pensar na cultura como algo que exista si por si, é interessante pensar na cultura de dois modos; primeiro, como a discussão significativa da experiência humana. Seria uma definição bastante geral, mas que dá conta de toda uma diversidade de definições que atravessaram o século XX por exemplo; desde o culturalismo norte americano, passando pelo estruturalismo até a hermenêutica norte americana, o significado, o sentido, está no centro da definição de cultura. Roy Wagner propõe que a gente veja a cultura com essa dimensão significativa da experiência humana, se refira ela ao pensamento, se refira ela à ação. E mais: ao invés de a gente pensar nas culturas como objetos, coisas que existem em si, mas como a forma visível de uma relação entre diferentes modos de viver e experimentar o mundo, então a cultura não é uma coisa, não é algo que se tem, não é sinônimo de sociedade. A cultura é forma que assume a inter-relação de pelo menos dois modos de ser e estar no mundo, é o produto de uma diferença.

Qual a principal diferença entre os principais tipos de cultura?
Se uma cultura é o efeito entre dois modos diferentes de pensar e existir no mundo, o que define as diferenças são os modos como cada uma concebe as diferenças e relações, talvez essa seja a forma mais simples de tentar pensar como as culturas diferem entre si. Como elas pensam nas relações? Quais são os conceitos de relação e diferença que cada cultura define? Se a gente for pensar qual é o lugar da diferença na cultura ocidental no universo individualista moderno, a ideologia individualista moderna atribui diferença a um papel muito negativo, e o processo de construção de estados nação, passa por uma tentativa de suprimir as diferenças, de padronizar uma língua, uma religião, um modo de vida, um sistema de valores; isso é um modo um tanto quanto pejorativo, pelo qual a ideologia individualista vê a diferença. Os povos ameríndios, por exemplo, pensam de uma maneira totalmente diferente. A diferença é o lado do mundo. O mundo é todo feito de diferenças, e o grande desafio de experimentar esse mundo é tentar pensar: Como produzir relações? Como fazer pontes? Como construir modos de comunicação, de agenciamento?

Ainda podemos falar de cultura num mundo globalizado?
Essa é uma pergunta que os antropólogos têm feito desde, pelo menos, os anos 1950. Uma coisa interessante que o Levi Strauss diz na sua história é o de que qualquer coisa que aconteça no mundo, na história da humanidade, o conceito de cultura ainda vai ser algo interessante. O Marshall Sahlins tem um artigo que ficou famoso chamado "Por que a cultura não é um objeto em vias de extinção", onde ele conta as ideias da homogenização, da suposta homogenização mundial provocada pelo capitalismo, com os modos pelos quais o capitalismo, em um conjunto de ideias associado a ele, como por exemplo, a própria ideia de propriedade privada, o conceito de exploração, foram resignificados em diferentes partes do mundo, para mostrar como o capitalismo na China assume um conjunto muito particular de significado, e o Salhins argumenta em uma direção muito semelhante a de Strauss; enquanto houver qualquer tipo de diferença, enquanto houver diferença nos modos de atribuir sentido ao mundo, ainda vai ser válido pensar em cultura, porque quando a gente pensa em cultura, a gente está pensando justamente nessa dimensão significativa e fundamentalmente diversa da experiência humana.

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