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Rebeca Arimi Suzuki

Rebeca Arimi Suzuki

O segredo de Singapura para ter universidades de ponta

[Da revista exame]
São Paulo — As realizações de Lee Kuan Yew, primei­ro-ministro de Singapura de 1959 a 1990, foram objeto de muita discussão global desde sua morte, em março deste ano. Mas um aspecto de seu sucesso foi pouco mencionado: os investimentos que ele e seus sucessores fi­zeram em educação.
Sua estratégia era, como ele dizia com frequência, “desenvolver o único re­curso natural de Singapura: seu povo”. Atualmente, Sin­gapura é classificada rotineiramente entre os primeiros lugares do mundo em desempenho educacional, tal como é medido pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), a famosa prova da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Além disso, embora seja uma cidade-estado com apenas 5 milhões de habitantes, ela tem duas universidades entre as 75 melhores do mundo no mais recente ranking da revista inglesa Times Higher Education — o mesmo número de China, Japão e Alemanha. O Brasil, não custa lembrar, não tem nenhuma.

Como isso foi possível? O que Lee e Singapura fizeram certo? Para começar, é preciso ressaltar que o sistema educacional de Singapura não foi planejado do zero por Lee e seus colegas. Ele foi construído sobre alicerces muito sólidos, herdados do passado colonial britânico de Singapura. Diferentemente de muitos de seus contemporâneos entre os líderes pós-coloniais, porém, Lee não teve medo de adotar elementos do passado que se mostrassem úteis para a empreitada de construção nacional.

Sistema meritocrático

Em nenhum lugar essa estratégia ficou mais evidente do que na educação. Muitas instituições de ensino de primeira linha do país — por exemplo, a Universidade Nacional de Singapura (fundada em 1905), a Raffles Institution (em 1823) e a Anglo-Chinese School (em 1886) — foram criadas muito antes da proclamação da independência do país, em 1963.
Além disso, o currículo da educação secundária segue o modelo britânico (com algumas adaptações em razão de a média de desempenho dos estudantes de Singapura ser em geral superior). E, embora a infraestrutura física não seja negligenciada, o foco principal do investimento educacional são os alunos e os professores.

Um sistema nacional de bolsas generosas permite que os melhores alunos se beneficiem da formação em algumas das melhores universidades do mundo, enquanto Singapura desenvolve as próprias instituições de categoria mundial. Além disso, com salários iniciais acima da média nacional, a profissão de professor atrai, desenvolve e retém alguns dos melhores graduados.
O sistema educacional de Singapura é claramente meritocrático (alguns diriam até elitista), com foco em identificar e desenvolver o melhor talento e, igualmente importante, direcioná-lo ao serviço público. Os estudantes que recebem bolsas do governo são obrigados a servir ao setor público por, no mínimo, dois anos para cada ano de estudo em que contaram com a ajuda oficial.
A mesma abordagem meritocrática rege o desenvolvimento e a promoção de professores. Os que apresentam melhor desempenho recebem cargos de liderança, sem muita preocupação com a duração do mandato, e há uma porta giratória entre o Ministério da Educação, as salas de aula e a administração das escolas. Os educadores são com frequência incentivados a realizar um trabalho de planejamento. Muitos, posteriormente, optam por voltar à sala de aula.
A tendência elitista no sistema educacional de Singapura é amenizada pelo fato de a educação de qualidade ser oferecida em todos os níveis de formação acadêmica. Singapura merecidamente se orgulha de suas instituições acadêmicas secundárias e terciárias de elite, mas as verdadeiras joias do sistema são as centenas de escolas de bairros, institutos de formação técnica e politécnicas que oferecem educação de alta qualidade a toda a população.

O sistema educacional de Singapura está constantemente olhando para o futuro. Da adoção do bilinguismo — aprendem inglês, além da língua-mãe mandarim, malaia ou tâmil — a seu foco em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (Stem, na sigla em inglês), Singapura antecipou muitas estratégias educacionais cruciais que estão sendo adotadas pelos formuladores de política em outros lugares.

A escolha do inglês foi movida pela história e pela necessidade de uma sociedade multié­t­ni­­­­­­­­­ca ter uma língua em comum. Mas foi também uma percepção visionária da rápida ascensão que o inglês teria como língua franca da ciência e do comércio global e que, uma vez estabelecida, assim permanecerá, provavelmente, nas próximas décadas, talvez séculos.
Sobre isso, também, Lee Kuan Yew se distinguiu de outros líderes pós-coloniais de sua geração. Em vez de ceder a um sentimento nacionalista estreito e optar pela língua e cultura da maioria, ele e seus colegas escolheram adotar uma língua global para uma cidade global.
Por fim, o sistema educacional de Singapura evolui com o tempo e à luz de novas evidências. Nos anos 90, os dirigentes do país, preocupados com o fato de que sua abordagem de educação pudesse, de alguma forma, ficar excessivamente focada nas disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, começaram a criar avenidas para a excelência também em humanidades, artes e esportes.

Esse reequilíbrio ainda está em curso, com uma nova ênfase em identificar maneiras de fortalecer a criatividade e o empreendedorismo. Para o pai fundador de Singapura, a educação ia muito além da escolaridade formal. Como ele declarou num discurso em 1977: “Minha definição de um homem educado é um homem que nunca para de aprender e quer aprender”. Por tudo isso, o sistema educacional de categoria mundial de Singapura será um dos legados mais duradouros de Lee.

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