Doces Lembranças da Passada Glória

Doces lembranças da passada glória,
que me tirou Fortuna roubadora,
deixai-me repousar em paz ữa hora,
que comigo ganhais pouca vitória.

Impressa tenho n`alma larga história
deste passado bem que nunca fora;
ou fora, e não passara; mas já agora
em mim não pode haver mais que a memória.

Vivo em lembranças, mouro de esquecido,
de quem sempre devera ser lembrado,
se lhe lembrara estado tão contente.

Oh! Quem tornar pudera a ser nascido!
Soubera-me lograr do bem passado,
se conhecer soubera o mal presente.
Poema escrito por Luís Vaz de Camões
Poeta do Renascimento Português
Análise:
Do ponto de vista formal, este poema é um sonto, uma vez que apresenta 2 tercetos e 2 quartetos, sendo composto de 14 versos, e 10 sílabas cada um (versos decassílabos)
Do ponto de vista temático, o assunto abordado no poema é a lembrança de um passado glorioso, e o arrependimento pelos atos ilícitos durante o curto prazo de tempo que é a vida de um ser humano.

Sobre o autor: 
Luís Vaz de Camões, um dos mais célebres autores do renascimento na europa, nasceu na cidade de Lisboa, e teve sua educação formada na Universidade de Coimbra.
Escritor da obra épica "Os Lusíadas", na qual fala das aventuras de Vasco da Gama, escreveu também poemas em redondilhos menor e maior (poemas com versos de 5 e 7 sílabas, respectivamente) e peças de teatro, chamados de "Autos", como por exemplo, "El Rei Seleuco", o qual apresenta características vicentinas (influências de Gil Vicente)

Nota: Os Lusíadas, possuem 10 cantos e dividida em 5 partes: Proposição, Invocação, dedicatória, narração e epílogo.

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