Sakura, a Princesa da Primavera


Reza a lenda que uma bela divindade desceu dos céus e aterrissou em suavemente em uma cerejeira.
Chamada Konohana Sakuya Hime (Princesa da Floração das Árvores), ela é representada na mitologia japonesa como uma flor de sakura, que representa a fragilidade da vida mundana.
Cultuando o mito ou não, nenhum país do mundo celebra o início da primavera como o Japão.

É na chegada desta estação, que a paisagem branca e fria cede espaço para as cerejeiras que irrompem no extremo sul de arquipélago, em Okinawa, até alcançar Hokkaido, no norte.

Acompanhando a elevação da temperatura que cruza o país, as flores desabrocham como mágica, transformando o cenário de montanhas, margens de rios, parques púbicos, e jardins, num fenômeno conhecido como sakura zansen (linha de frente das cerejeiras)
Com mais de 300 tipos, essa espécie pode ser encontrada em diversos países: na China, nas Cordilheiras do Himalaia, e inclusive no Brasil.
Em São Paulo, a tradição do Hanami, (Festa de Apreciação das Flores de Sakura), é mantida por diversas associações nikkeis, que celebram esse espetáculo da natureza, com danças típicas e deliciosos petiscos.
A origem do Hanami
A popularidade da tradicional comemoração, vem da antiguidade, e já data mais de 10 séculos.
Embora a flor apreciada no período Nara (710-794), fosse a de umê (ameixa), incorporada pelos costumes chineses, muitos, aristocratas, encantados com a beleza das sakuras, começaram a cultivá-las em seus jardins.
O primeiro Hanami, ocorreu dentro do palácio imperial, a pedidos, então, do imperador Saga (786-842).

A partir de então, a festa conquistou a elite japonesa, mas foi na era Edo (1600-1867), que o evento se expandiu por todo o Japão.
O shogun Yoshimune tokugawa, ordenou o plantio da cerejeira em diversas localidades de Edo (atual Tokyo).
Segundo a crendice a sua beleza e a enfermidade estavam associadas à coragem dos samurais, que não temiam a morte.
A sakura sempre fez parte da vida dos japoneses.
Mesmo nos tempos de outrora, quando ainda não existiam calendários, os camponeses baseavam-se no florescimento das cerejeiras, para iniciar o plantio nos arrozais.

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